CRONOLOGIA
 
1957
José Leonilson Bezerra Dias nasce no dia 1° de março de 1957, em Fortaleza, Ceará. É o quarto de cinco filhos de Theodorino Torquato Dias e Carmem Bezerra Dias, família de tradição católica ligada ao comércio de tecidos.
 
1960
Transferem-se para Porto Velho, Rondônia, sede do comércio de seu pai, onde vivem por um ano.
 
1961
A família instala-se definitivamente em São Paulo, no bairro da Vila Mariana.
 
1962-1974
Leonilson frequenta colégios de orientação católica: Colégio Sagrado Coração de Jesus e Colégio Marista Arquidiocesano. Durante as férias escolares, viaja para Fortaleza. O interesse pela arte surge desde a infância.
 
1973-1976
Começa a produzir seus primeiros trabalhos. Frequenta cursos livres de artes plásticas na Escola Panamericana de Arte.
 
1975
Matricula-se em curso por correspondência de formação técnico-turística, obtendo o diploma, no ano seguinte, pela Escuela de Turismo de Baleares, em Palma de Maiorca, Espanha. Viaja pela primeira vez à Europa.
 
1976
Cursa colegial técnico de turismo no Colégio Ideal, bairro de Higienópolis, onde conhece o crítico de arte Casimiro Xavier de Mendonça. Trabalha na 13ª Bienal de São Paulo como colaborador intérprete, setor Espanha.
 
1977
No primeiro semestre, frequenta a Faculdade de Belas Artes (atual Centro Universitário Belas Artes de São Paulo). No segundo, ingressa no curso de artes plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Participa pela primeira vez de uma mostra coletiva: Arte e pensamento ecológico, em Santos.
 
1979
Divide ateliê com o amigo e artista plástico Luiz Zerbini, com quem expõe aquarelas, no ano seguinte, no Teatro Lira Paulistana. Recebe o prêmio aquisitivo Duratex com a obra Carta ao amigo iii [PL.2875.0/00], no iv Salão de Arte Contemporânea da Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí.
 
1980
Abandona definitivamente o curso na Faap e passa a frequentar o Centro de Estudos Aster. Ao mesmo tempo, tem aulas de aquarela com o artista plástico Dudi Maia Rosa. Realiza a primeira exposição individual, Cartas a um amigo, no Museu de Arte Moderna da Bahia.
 
1981
Viaja para Madri, mora temporariamente na Casa do Brasil, onde realiza sua primeira individual internacional, Cartas al hombre. Viaja por diversas cidades europeias. Em Milão, conhece o artista Antonio Dias, que o apresenta ao crítico italiano Achille Bonito Oliva, mentor da transvanguarda italiana. Integra a coletiva Giovane Arte Internazionale, em Lecco. Retorna ao Brasil no fim do ano.
 
1982
Conhece os galeristas Thomas Cohn (RJ) e Luisa Strina (SP), que adquirem alguns de seus trabalhos. Entre abril e julho, retorna à Europa. O marchand Fernando Pellegrino (Bolonha, Itália) o representa na feira de arte Art Basel. De volta ao Brasil, começa a trabalhar com o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, sendo responsável pela criação da ambientação, cenários e figurinos para a peça A Farra da Terra.
 
1983
Passa a dividir sua casa/ateliê com os artistas plásticos Ciro Cozzolino e Sergio Romagnolo. Apresenta-se simultaneamente em individuais na Galeria Luisa Strina (sp) e na Thomas Cohn Arte Contemporânea (rj). Recebe o prêmio Referência Especial do Júri com a obra Lobo azul [PL.1556.0/00], no 6º Salão Nacional de Artes Plásticas (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro).
 
1984
Integra a coletiva Como vai você, Geração 80?, no Parque Lage (rj). Na Galeria Luisa Strina, expõe com Ciro Cozzolino, Leda Catunda e Sergio Romagnolo. A convite da Prefeitura de Fortaleza, participa do projeto Arte Urbana com a criação da obra pública Torre na praia [PL.2320.0/00], localizada na praia de Iracema. Realiza sua primeira exposição individual em sua cidade natal, na Arte Galeria.
Em conjunto com o artista Sérvulo Esmeraldo idealiza e produz um álbum de linoleogravuras – lançado postumamente [PL.2556.1/00].
 
1985
Participa da Nouvelle Biennale de Paris e da 18ª Bienal Internacional de São Paulo, onde apresenta pela primeira vez objetos tridimensionais, e conhece o artista plástico alemão Albert Hien. Participa de dois documentários sobre a Geração 80: Spray Jet (Ana Maria Magalhães) e Tinta s/ tela (Malu de Martino).
 
1986
Expõe em Munique, com Albert Hien. Integra as coletivas A nova dimensão do objeto (sp) e i exposição internacional de esculturas efêmeras (ce). Em Buenos Aires, é premiado na Bienal Latinoamericana de Arte sobre Papel com menção especial do júri.
 
1987
É convidado para residência artística na Villa Waldberta, em Munique, e realiza a individual Moving Mountains, na mesma cidade. Participa de mostras coletivas de arte brasileira na França. Viaja pela primeira vez a Nova York, onde tem seu primeiro contato com a cultura dos Shakers, que causa forte impacto em sua obra.
 
1988
Por intermédio de Albert Hien, conhece o marchand Jack Visser, e passa a expor na Pulitzer Art Gallery, em Amsterdã. Integra a coletiva itinerante Brasil já, apresentada na Alemanha. Participa como convidado do 13º Salão de Arte de Ribeirão Preto.
 
1989
A convite do governo francês, realiza gravura comemorativa em homenagem ao bicentenário da Revolução Francesa [PL.2387.0/01]. A obra participa da mostra Estampes et Révolution, 200 ans après (Chapelle de L’Oratoire, França) e passa a integrar diversas coleções públicas europeias. Em Paris, realiza o álbum de gravuras Estigmas curiositas exvagus [PL.2634.1/00], editado por Georges Rucki.
 
1990
Participa do Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no Museu de Arte de Brasília, no qual recebe o prêmio aquisição por To My Boat – Where is the Ocean? [PL.1461.0/00], primeira obra a ingressar numa coleção pública brasileira.
 
1990-1993
Registra ideias em áudio, tendo em vista o projeto de um livro. O projeto, não concluído, torna-se um diário gravado. Entre março de 1991 e maio de 1993, ilustra a coluna “Talk of the Town”, da jornalista Barbara Gancia, no jornal Folha de S.Paulo. As ilustrações são reunidas no livro Leonilson: use, é lindo, eu garanto, publicado pela editora Cosac Naify (1997).
 
1991
Em agosto, um teste revela que é soropositivo ao vírus hiv. Em outubro, realiza a primeira individual na Galeria São Paulo. Participa ainda de coletivas no exterior: Viva Brasil viva (Estocolmo) e Brasil: la nueva generación (Caracas).
 
1992
Organiza a exposição Um olhar sobre o figurativo na galeria Casa Triângulo (SP). Viaja pela última vez ao exterior. De volta a São Paulo, instala-se na casa dos amigos Eduardo Brandão e Jan Fjeld e transfere seu ateliê para o bairro de Pinheiros. Entre outubro e dezembro, é entrevistado pela curadora Lisette Lagnado.
 
1993
Muda-se para a casa de sua irmã Tilda Salvatore, no bairro de Alphaville (Barueri, SP). Em março, realiza duas individuais simultâneas na Galeria São Paulo (SP) e na Thomas Cohn Arte Contemporânea (RJ). Cria sua última obra – Instalação sobre duas figuras [PL.0027.1/00] para a Capela do Morumbi (SP), mas não chega a vê-la montada. No ano seguinte, as exposições do artista na Galeria São Paulo e na Capela do Morumbi são premiadas pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
Leonilson falece em 28 de maio, na casa dos pais.
A família e os amigos do artista se juntam e fundam, informalmente, o Projeto Leonilson com o objetivo de pesquisar, catalogar, preservar e divulgar a vida e a obra do artista.